Autoridades, mercadorias, empresas imobiliárias, empresas de distribuição beneficiam de uma inflação elevada. Seguradoras, fundos de pensões, investidores privados beneficiam de uma inflação baixa. Inflação em alta representa mais lucros para os primeiros e um esmagamento das margens para os segundos. Este facto cria um mercado potencial para “compradores” e “vendedores” de inflação.
Contrato “over-the-counter”
A procura de derivados estruturados para gerir ou cobrir os riscos ligados à inflação tem aumentado nos últimos anos. Os derivados mais tradicionais ou obrigações nem sempre proporcionam a solução mais flexível ou ideal. Um dos produtos que permite uma solução é o swap ligado à inflação.
O swap ligado à inflação é uma transacção “over-the-counter” entre duas partes contraentes.
Fazem um acordo para trocarem um ou mais fluxos de dinheiro no futuro. O cash-flow de uma das partes – referente ao vendedor da inflação – é definido no início do contrato. Envolve os chamados pagamentos de taxa fixa.
O cash-flow da outra parte – referente ao comprador da inflação – ainda é desconhecido no início do contrato e vai depender do desenvolvimento de um índice de preço específico. Tem a ver com os pagamentos relacionados com a inflação.
O índice referência de inflação utilizado para os swaps ligados à inflação na zona euro é a Inflação Europeia Harmonizada ou índice HICPXT, publicado pelo gabinete estatístico da União Europeia, Eurostat. O índice HICPTX pertence aos indexes com maior liquidez. Na prática outros índices – às vezes nacionais – são utilizados (como o índice de rendimento belga).
Exemplo
Duas partes, A e B, acordam um swap ligado à inflação cupão zero de sete anos (isto é, o padrão no mercado Interbank). Este swap ligado à inflação tem uma taxa de inflação fixa de 2,06%, com base no índice HICPXT. A data da transacção é 2 de Junho de 2005. O valor nominal é de dez milhões de euros.
A parte A paga um cash-flow a 6 de Junho de 2012, com base em dois índices de inflação: (HICPTXT de Março de 2012/HICPXT de Março de 2005-1) x 10 milhões de euros
A parte B paga um cash-flow fixo a 6 de Junho de 2012 de: ((1+2,06%)7-1) x 10 milhões euros = 1 534 239 euros
A parte A recebe o cash-flow fixo e paga um cash-flow variável na base da inflação corrente durante este período de sete anos.
Se a evolução da inflação corrente for mais baixa do que 2,06%, a parte A tem lucro (vendedor da inflação). Se a evolução da inflação corrente for mais alta do que 2,06%, então a parte B tem lucro (comprador da inflação).
Compradores de inflação
Que perdas têm as empresas e organizações se a taxa de inflação aumentar? Antes de mais, companhias de seguros e fundos de pensões.
As obrigações face às partes seguradas ou àquelas tituladas a pensões aumentam de acordo com a taxa de inflação. O que é perdido por uma seguradora do ramo vida, como resultado do aumento da inflação, pode ser recuperado no mercado através da compra de inflação.
Seguradoras de indemnizações também são compradoras de inflação. Seguram, por exemplo, o rendimento indexado dos empregados depois de um acidente industrial. Comprando inflação num swap ligado àquela, estão em condições de cobrirem futuras obrigações e pagamentos ligados ao índice de preços.
Outros compradores de inflação são investidores privados que, por exemplo, querem salvaguardar o seu poder de compra ou pretendem diversificar o seu portfólio.
Compradores de inflação
Quais as perdas das empresas e organizações se a taxa de inflação corrente baixar? Autoridades, mercadorias, empresas do sector imobiliário e empresas estatais (como a BBC no Reino Unido) são típicos vendedores de inflação. A sua receita está ligada à inflação, enquanto que as suas despesas não o estão ou em menor nível. Como regra, existe uma discrepância entre activos e obrigações.
Vendendo inflação num swap ligado à inflação estão em condições de protegerem o rendimento futuro relacionado com a inflação.
Tipos e vantagens dos swaps ligados à inflação
Os swaps ligados à inflação consistem em diversas estruturas. Como envolve um contrato “over-the-counter”, em teoria cada derivdo é possível.
As três estruturas prevalecentes são as seguintes:
- Swap ligado ao padrão Interbank (interbancário) ou swap ligado à inflação cupão zero
Os cash-flows dos swaps têm lugar na data de maturação. O swap ligado à inflação paga o valor exacto da inflação acumulada de um capital fixo num período de longo prazo. Este swap ligado à inflação encaixa bem num mix de investimento, de acordo com obrigações relacionadas com a inflação no longo prazo.
- Swap ligado à inflação à taxa anualizada
Com este swap, a inflação é utilizada numa base anual. Como tal, não se coloca a questão da inflação acumulada. Esta estrutura, por si própria, representa uma protecção ao cash-flow.
- Swap de rendimento ligado à inflação
Com este tipo de swap, são trocados dois cash-flows, cada um no seguimento do índex de inflação. Uma parte paga, anualmente, o crescimento de uma inflação fixa durante o período em que vigora o contrato. A outra parte paga o progresso da inflação corrente durante o período do contrato. O swap de rendimento ligado à inflação corrente consiste numa série de swaps cupão zero.
Hoje, os swaps ligados à inflação são um derivado maduro – disponíveis a baixo custo e em várias estruturas, dependendo das necessidades com volume disponível suficiente e liquidez no mercado.
O Fortis adquiriu muitos anos de experiência no comércio de derivados e na realização de contratos ligados à inflação.
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