A gestão do capital utiliza técnicas desenvolvidas para melhorar as condições operacionais, o risco e os resultados financeiros da gestão do dinheiro das empresas ou grupos de sociedades.
Se um grupo tem várias contas correntes num ou mais países, por vezes constitui uma vantagem evitar ter saldos positivos em certas contas e saldos devedores noutras. Existem duas vias principais para alcançar este objectivo: o target balancing” e o sistema “notional pooling”.
O target balancing” significa atingir, periodicamente, um saldo zero ou um outro saldo em subcontas, transferindo o excedente para uma conta central ou cobrindo valores em défice em subcontas, debitando na conta principal. O grupo cliente pode então, automaticamente, colocar o seu dinheiro e negociar melhores condições financeiras, em vez de estar a gastar tempo na gestão de diversas contas com pequenos saldos. Além disso, o target balancing” torna possível reduzir o número de linhas de crédito e as contas pendentes, o que impulsiona a estrutura do balanço e os resultados financeiros.
O “notional pooling”, por outro lado, envolve calcular o saldo virtual, juntando os saldos de várias contas, de forma a que o banco apenas considera o saldo líquido do grupo quando são calculados os juros devedores ou credores. Nesta perspectiva, o cliente recupera a margem de juro, resultante da diferença entre as taxas de crédito e débito nos saldos. Em termos financeiros, o resultado é idêntico ao do target balancing”, mas não é preciso uma gestão activa por parte do grupo cliente.
Target balancing” e tributação
Na situação de target balancing” entre entidades legais diferentes, o “cash-pooling” resulta numa série de empréstimos e pagamentos de juros entre a empresa “pooling” e outras sociedades envolvidas no sistema de target balancing”. A conta recebedora deve estar localizada num país em que o juro de crédito pago pelos bancos não esteja sujeita a retenção na fonte ou num país que não implique retenção na fonte, mas onde a entidade “pooling” esteja isenta de retenção na fonte sobre os juros que recebe quando investe os excedentes ou pgamentos do grupo, aquando de o empréstimo a um banco.
O país de domicílio da empresa “pooling” também tem aqui um papel, já que é mais favorável se o juro sobre o empréstimo ou o crédito entre a empresa “pooling” e os membros da “pool” não estiverem sujeitos a retenção na fonte. Por exemplo, se uma empresa francesa colocar o capital para o seu grupo numa conta não-residente detida na Bélgica, a lei fiscal francesa incide sobre os empréstimos gerados entre as empresas pelo target balancing”.
Sistema tributário comum europeu para juros e impostos
Na Europa, muitos estados fazem retenção na fonte sobre empréstimso inter-empresas. As taxas variam de um país para o outro. Tratados bilaterais podem ser concluídos para limitarem os efeitos deste regime e para evitarem a dupla tributação. No entanto, para beneficiar destes tratados, as empresas têm que garantir uma série de medidas administrativas. Uma directiva (3 de Junho de 2003) estabelece um sistema comum para o pagamento de juros e impostos associados a empresas domiciliadas em vários Estados-membros. Tais pagamentos de juros já não estão sujeitos a retenção na fonte. No entanto, esta isenção restringe-se a empréstimos entre uma holding e subsidiárias directas ou entre empresas associadas directamente, sem qualquer intermediário.
O sistema de target balancing” desenvolvido pelo banco Fortis não torna apenas possível o target balancing” num país, mas também internacionalmente, em cinco níveis sucessivos. O sistema torna possível alargar o leque da isenção, estabelecendo uma série de transacções de target balancing” entre as empresas holding e as subsidiárias ou entre as empresas associadas.
Sob o sistema do “notional pooling” , a tributação é menos importante, mas ainda representa uma questão delicada. O serviço providenciado pelo banco consiste em optimizar os termos para as contas envolvidas (reduzindo as taxas de juro do débito e aumentando as taxas sobre o crédito), sem gerar novas transacções financeiras. Não são feitos novos depósitos ou empréstimos.
Não há alteração ao tratamento fiscal em resultado do “cash-pool”. O estatuto fiscal de uma empresa não muda: se o juro que o banco recebe está sujeito a retenção na fonte quando não há “pool”, também está sujeito a tal dedução no âmbito da “pool”.
Sob o “notional pooling”, o principal objectivo, relativamente à fiscalidade, é evitar o aumento dos termos financeiros, aumentando a transferência do lucro entre os membros de uma “pool” ou entre os estabelecimentos bancários participantes. Além disso, onde as “pools” possuem uma dimensão internacional, trata-se de uma vantagem reduzir o lucro tributável num país, transferindo todo ou parte do lucro para um outro país.
O banco Fortis definiu um método para calcular o juro do lucro resultante do “notional pooling”, na base da contribuição de cada participação para a criação de uma margem de lucro para cada uma das unidades bancárias envolvidas.
O “notional pooling”, por último, garante a cada parte taxas de débito e de crédito mais vantajosas. Este valor é comunicado para as unidades de contabilidade locais, o qual é orientado para as respectivas contas, na base do estatuto fiscal de cada um dos participantes no esquema “notional pooling”.